Consumo de Açúcar e Saúde Cerebral

Consumo de Açúcar e Saúde Cerebral
Muitos são os motivos para banir o açúcar da dieta, já que é comprovado que ele pode causar problemas cardiovasculares e prejudicar o funcionamento do seu corpo. Mas estudos recentes sugerem que ele é muito mais que isso e teria, inclusive, efeitos nefastos no cérebro humano, podendo ser um fator de risco para as mais diversas doenças neurológicas. Um dos tipos de demência mais temidos, o Mal de Alzheimer ainda tem suas causas e curas desconhecidas, mas um corpo crescente de pesquisas sugere que o açúcar pode, sim, ter influência sobre o desenvolvimento da doença.
A glicemia de jejum e a hemoglobina glicosilada são parâmetros bioquímicos à serem analisados como preditores da doença de Alzheimer. Existe uma correlação muito direta entre maiores níveis de açúcar no sangue e a doença, ou seja, quanto mais açúcar no sangue, maior o risco de encolhimento do centro da memória, marca principal da doença, e a velocidade com que o cérebro diminui de volume está correlacionada à hemoglobina glicosilada (exame de controle da diabetes). A notícia boa é que esses fatores são perfeitamente controláveis através de mudança alimentar – controlando-se a quantidade de carboidratos, de calorias (da quantidade total ingerida) e aumentando o consumo de gorduras saudáveis – e da prática de exercícios físicos. A neuroplasticidade cerebral é importante, fazendo com que a regeneração cerebral seja uma realidade. Manter os níveis de açúcar controlados permite a redução da ação dos genes que expressam inflamação, aumentando a produção de antioxidantes, e, através da neurogênese, permite a regeneração das células do centro da memória e promoção da conectividade.
Em 2005, a doença de Alzheimer foi inicialmente denominada de diabetes tipo 3 – seria o estágio final no cérebro do diabetes tipo 2. Estudo realizado pelo grupo de pesquisadores liderados pela Dra. Susanne de La Monte, da Universidade Brown, dos Estados Unidos, identificou uma razão pela qual as pessoas com diabetes tipo 2 apresentam maior risco em desenvolver a doença de Alzheimer: o hipocampo, responsável pela aprendizagem e memória, parece ser insensível à insulina, o que leva a crer que o cérebro também pode ser diabético assim como o fígado, os músculos e as células de gordura.
O cérebro recebe aproximadamente 15% do volume de sangue bombeado pelo coração e usa principalmente a glicose como molécula energética, consumindo em média 25% da glicose disponível em todo o organismo. Ao chegar ao cérebro, o açúcar ativa as mesmas regiões que as drogas legalmente proibidas, como cocaína, e outras legalizadas, como o álcool. As principais estruturas neurológicas envolvidas nesse processo são o hipotálamo, o estriado dorsal e áreas do córtex pré-frontal. Essas regiões formam uma rede ligada aos mecanismos de satisfação - o circuito dopaminérgico mesocortical. Trata-se de uma via cerebral que libera principalmente o neurotransmissor dopamina, importante na sensação de prazer. Quando essas áreas são ativadas frequentemente por hábitos como o consumo diário e excessivo de açúcar, desencadeia-se um círculo vicioso quase impossível de parar.
Estudos realizados relacionam a genética como explicação de que tantas pessoas não resistem aos encantos dos sabores doces. Pesquisadores canadenses identificaram uma variação do gene GLUT2, que controla a entrada de glicose nas células.
Lembrando sempre que estamos falando de açúcar, em sua grande maioria, refinados e industrializados, sendo a frutose de milho um açúcar industrializado que é utilizado na indústria como adoçante e conservante em “comidas” (biscoitos, chocolates, balas, algumas marcas de pães) e bebidas e está é diferente da frutose presente naturalmente em frutas, que possui uma baixa concentração de açúcar e é fonte de importantes vitaminas e antioxidantes, mas não deixando de consumi-las com moderação.

Referencias:
Monte, M.S.; Wands, J.R.; Alzheimer's Disease Is Type 3 Diabetes–Evidence Reviewed. M.DJ Diabetes Sci Technol. 2008 Nov; 2(6): 1101–1113.
Nick Bryan, Michel Bilello, Christos Davatzikos, Ronald M. Lazar, Anne Murray, Karen Horowitz, James Lovato, Michael E. Miller, Jeff Williamson, Lenore J. Launer. Effect of Diabetes on Brain Structure: The Action to Control Cardiovascular Risk in Diabetes MR Imaging Baseline Data. Radiology. July 2014 Volume 272.
Verdelho A, Madureira S, Ferro JM, Basile AM, Chabriat H, Erkinjuntti T, Fazekas F, Hennerici M, O'Brien J, Pantoni L, Salvadori E, Scheltens P, Visser MC, Wahlund LO, Waldemar G, Wallin A, Inzitari D. LADIS Study. Differential impact of cerebral white matter changes, diabetes, hypertension and stroke on cognitive performance among non-disabled elderly. The LADIS study. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2007;78(12):1325–1330
Landreth G. PPARgamma agonists as new therapeutic agents for the treatment of Alzheimer's disease. Exp Neurol. 2006;199(2):245–248.


Copyright © 2016 nutriroberta.com.br
Inovando Sìtes Criação e Desenvolvimento de Sites em Porto Alegre RS